As informações médicas

Todos os profissionais de saúde no Brasil são legalmente obrigados a manter o sigilo sobre qualquer informação relacionada à saúde de um paciente. Conforme o Código de Ética Médica e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o paciente é o titular de suas informações e apenas ele pode autorizar o compartilhamento desses dados com terceiros.

 

Em situações críticas, como nas unidades de terapia intensiva (UTI), os profissionais de saúde podem compartilhar informações relevantes com os familiares mais próximos. Essa comunicação é autorizada quando visa reduzir o impacto emocional, oferecer mais compreensão sobre o quadro clínico e permitir que a família possa se organizar, dar suporte e se preparar para possíveis desfechos.

Os profissionais de saúde devem ter critério e cautela ao definir com quem compartilhar informações sobre o estado do paciente. Quando não houver uma pessoa de confiança previamente indicada, recomenda-se escolher um familiar de referência para centralizar as informações. Essa pessoa será responsável por receber as atualizações e, se desejar, repassá-las aos demais familiares. Para proteger a privacidade do paciente, informações sensíveis não são compartilhadas por telefone, já que não é possível confirmar a identidade de quem está na linha. Caso precise de mais detalhes sobre o quadro clínico, será necessário comparecer presencialmente ao hospital ou unidade de saúde.

Entrevistas médicas :

Em geral, uma entrevista de boas-vindas é oferecida aos parentes mais próximos do paciente quando ele é admitido em cuidados intensivos, e entrevistas subsequentes podem ser oferecidas dependendo dos principais eventos que as exigem. Entre duas entrevistas, se necessário, pode ser solicitado uma discussão formal, geralmente marcando um horário com os secretários do serviço.

Para informações mais quotidianas, estas são geralmente fornecidas no dia a dia, conforme suas interações com os profissionais de saúde. Às vezes, é útil procurar a pessoa certa para fazer suas perguntas: os médicos costumam ser um pouco menos disponíveis do que o restante da equipe, mas não são os únicos que podem lhe dar informações:

  • Se a sua pergunta for sobre o conforto ou a higiene do paciente, a sua dieta ou como ele se está a adaptar, sempre pode perguntar a um técnico de enfermagem;
  • Se a questão envolver o ambiente da UTI, os tratamentos em andamento ou os objetivos do dia, os enfermeiros(as) serão os interlocutores mais indicados;
  • Os fisioterapeutas poderão orientá-lo sobre todos os aspectos relacionados à reabilitação e recuperação funcional, como motricidade, mobilidade, autonomia, entre outros.
Não hesite em identificar o interlocutor correto para suas questões.
Durante os encontros médicos, nem sempre é fácil assimilar todas as informações e lembrar-se de todas as perguntas que deseja fazer. Não hesite em anotar tudo! As reuniões médicas com os familiares de referência são momentos-chave de comunicação, mas podem ser difíceis de lidar para a família, pois são:
  • Frequentemente limitadas pelo tempo
  • Emocionalmente intensas, mesmo sem más notícias
  • Sentidas como muito formais e pouco propícias a uma troca genuína
Dicas para lidar melhor com esses encontros:
  • Manter um caderno com suas dúvidas ao longo da hospitalização será uma ajuda valiosa para garantir que você não se esqueça de fazer suas perguntas durante a consulta.
  • Os encontros médicos podem, por vezes, parecer muito curtos e intensos. Tomar notas durante a reunião permitirá que você retorne às informações posteriormente, processe-as no seu próprio ritmo e identifique mais facilmente os pontos pouco claros.
  • Você pode completar essas notas após a reunião e aproveitar para anotar imediatamente as questões em aberto para serem abordadas no próximo encontro, seja com o médico ou com outros profissionais de saúde que possam responder.
Exemplos de perguntas a fazer:
  • Sobre o estado do paciente
  • Sobre a experiência do meu ente querido
  • Sobre o futuro
  • Sobre a organização do serviço
  • Sobre a ajuda disponível para mim
  • Etc.

Observação:

Geralmente, os profissionais não médicos preferem estar acompanhados de um médico para todas as comunicações sobre novos elementos no tratamento (novos tratamentos, resultados de exames, aparecimento de novos sinais ou sintomas, etc.). Isso ocorre simplesmente para evitar iniciar uma conversa com você que possa gerar perguntas às quais não serão capazes de responder de maneira precisa e completa, o que, ao ficar sem resposta, pode causar ainda mais frustração e angústia.